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sexta-feira, 3 de abril de 2020

PRAÇA 15 - Outros locais relevantes

Arco do Telles / Travessa do Comércio / Rua do Mercado

1. Pintura de Debret de 1818 mostrando em primeiro plano o ancoradouro do Largo do Paço (atual Praça 15 de Novembro), ao lado do Chafariz do Monroe (aqui não visível). A edificação à direita, entre Rua Primeiro de Março (antiga Rua Direita) e Rua do Mercado (vista na extrema direita) é o casario de três andares de propriedade da família Telles de Menezes. A passagem visível em forma de arco ligava o largo à Travessa do Comércio, daí seu nome: Arco do Telles.

2. Cerca de 1890. Carregadores de cestos de mercadorias na Praça XV diante da Rua do Mercado, ao fundo, próximos ao Mercado do Peixe (não visível). No canto superior esquerdo podemos observa o Arco do Telles.

 
3. Cerca de 1910. O inicio da construção do casario dos Telles de Menezes data de 1743, entretanto um incêndio de grandes proporções em 1790 reduziu-o a cinzas desde a Rua Primeiro de Março até o ponto onde está o Arco.

4. Após o trágico incêndio o local ficou esquecido e frequentado por pessoas de classe baixa ou desclassificadas, desvalorizando este trecho da Praça 15.
 
5. Cerca de 1922. Em 1808, com a vinda da família real portuguesa para o Brasil como também pela proximidade do Paço Real (depois Paço Imperial), o local revigorou-se. Visão oposta.
 
5a. Sem data. Travessa do Comércio. Até os anos 80/90 esta região era repleta de casas de produtos náuticos, caça submarina e pesca.

5b. Anos 30. A cantora e atriz Carmen Miranda (1909-1955) e sua irmã, Aurora (1915-2005), na porta da residência de sua família, nº 13 da Travessa do Comércio. Este ano (2024) parte do telhado do sobrado desabou após anos de abandono e má conservação. Não houve feridos. O local exato é onde, na foto 6, está a calçada à esquerda do caminhão.
 
5c. 2019. Neste recanto da cidade o tempo não passa.
 
6. Cerca de 1930. Apesar de tudo o local resistiu às demolições que a modernidade do começo do século XX impôs.
 
6a. Anos 40. Precisando de reparos. O Arco sempre foi utilizado como atalho, através da Travessa do Comércio, por pedestres oriundos da Praça XV que desejavam alcançar a Rua do Ouvidor, ou vice-versa.

7. Provavelmente anos 40. O prédio onde o Arco se localiza foi considerado patrimônio histórico pelo IPHAN em 1938 e hoje é ponto de atração turística durante o dia.

8. Década de 40.

9. Decerto anos 40. À exceção do Arco, a edificação não traz qualquer atrativo arquitetônico e assemelha-se muito ao Convento do Carmo, nas imediações.

10. Anos 50. Nas duas últimas décadas o local tornou-se um point de diversão noturna às sextas-feiras, repleto de bares com música ao vivo e muita animação do pessoal que trabalha no centro da cidade.

11. Anos 60. Ao fundo o antigo prédio da Bolsa de Valores, do outro lado da esquina da Rua do Mercado.

 11a. 1972. Pedestres na Travessa do Comércio.

12. 2019. Foto do autor. Quase nada mudou.

13. Placa descritiva instalada na parede direita da passagem sob o Arco, em direção à Travessa do Comércio. Vide foto 11.

Alfândega


14. A Praça do Comércio foi inaugurada por D. João VI, pouco antes da Independência do Brasil, em 1820. Esta construção localizada no nº 78 da Rua Visconde de Itaboraí, em estilo neoclássico, tornou-se Alfândega do Rio de Janeiro quatro anos depois, assim permanecendo até 1944. Em 1938 o prédio foi tombado pelo IPHAN, entretanto, com o tempo, ficou completamente deteriorado. Em 1951 passou por reformas e durante mais de 20 anos abrigou o 2º Tribunal do Júri até 1978. 
 
 
14a. Provável 1944. Obras em andamento, provavelmente para abertura da Av. Presidente Vargas.

15. 1954. Na década de 80 novas obras de restauração foram realizadas e, em 1990, o espaço passou a fazer parte do corredor cultural do centro da cidade e ali instalou-se a Casa França-Brasil, local de exposições e múltiplas funções culturais.

16. Anos 50. À direita a parte lateral do prédio do antigo Banco do Brasil, atual CCBB. A Rua Visconde de Itaboraí corre paralela à Rua Primeiro de Março, desde a Rua do Rosário. Observar um bonde duplo parado em frente ao antigo prédio da Alfândega.

16a. 1951. No alto, à direita, está o prédio do Lloyd Brasileiro, sito à Rua do Rosário, nº 1.
 
17. Anos 50. Com a abertura da alça de acesso/saída do Viaduto da Perimetral em 1976 a construção lateral, focada nesta imagem e na anterior, foi demolida.

18. Anos 40.
 
18a. Anos 60. Nesta época funcionava no local o 2º Tribunal do Júri (vide letreiro). No alto, atrás do poste, identifica-se o prédio do extinto Lloyd Brasileiro, sito à Rua do Rosário, nº 1.

18b. Provável anos 60. Fotografia tirada da entrada principal da Igreja da Candelária.
 
19. Anos 30, ampliada, mostra a exata localização do antigo prédio da Alfândega conforme vemos assinalado. O trecho entre as linhas amarelas foi demolido na década de 40 para a passagem da Av. Presidente Vargas, exceção feita à Igreja da Candelária. Clique na imagem para ampliar.
 
19a. Docas da Alfândega captada do Morro de São Bento.
  
19b. 1895. Docas da Alfândega. Observar a posição da Igreja d Candelária, ao fundo, para se situar melhor do local. Seria algo próximo à extrema esquerda da foto anterior.

20. 2019. Evento cultural sendo realizado. Foto do autor.
 
Rua do Mercado
 
 
21. Cerca de 1922. Não foi possível identificar a esquina vista no canto inferior direito, mas ampliando a imagem vemos o Hospital São Zacharias, no alto do Morro do Castelo ao fundo. É possível também que esta rua, embora identificada como a Rua do Mercado seja alguma viela do Bairro da Misericórdia. A dúvida persiste.

21a. Anos 50. A Rua do Mercado em trecho não identificado. Ainda hoje existem muitos sobrados do início do século XX.

22. 1929. Encerramos a postagem da região do entorno da Praça 15 com indicações:
1) Praça 15 de Novembro;
2) Monumento ao General Osório;
3) Chafariz do Mestre Valentim;
4) Chafariz do Monroe;
5) Paço Imperial;
6) Palácio Tiradentes;
7) Ministério da Agricultura (antigo);
8) Convento do Carmo;
9) Igreja N. Sra. do Carmo;
10) Igreja da Ordem Terceira do Monte do Carmo;
11) Igreja N. Sra. da Lapa dos Mercadores;
12) Igreja Santa Cruz dos Militares;
13) Supremo Tribunal Federal (hoje CCJE);
14) Correios e Telégrafos; e
15) Banco do Brasil (hoje CCBB).
 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

PRAÇA 15 - Cais, Praia e Mercado do Peixe

1. 1897. Vemos à esquerda o Cais do Peixe ou Cais da Praia do Peixe. Tratava-se de uma área retangular onde as pequenas embarcações pesqueiras aportavam para descarregar o pescado trazido da baía. A via observada margeia a Praça XV, iniciando-se na Rua Primeiro de Março (antiga Rua Direita), ao lado do antigo Hotel De France, diante da Igreja da Ordem Terceira de N. Sra. do Carmo. Notar a quantidade de quiosques neste trecho e ao fundo, na baía, a Ilha Fiscal. Atualmente, neste local, existe a Estação Praça 15 do VLT.
 
1a. Aproximação da foto anterior a fim de observar os detalhes. 
 
1b. Cerca de 1870.

2. 1893. Outra imagem do cais e sua intensa movimentação de pescadores e comerciantes.

3. Cerca de 1895. Ângulo mais aproximado do mesmo local anterior. Era comum transportar na cabeça estas cestas redondas com peixes, frutas e outras mercadorias, vistas aqui empilhadas.

4. 1910. O exato local onde os barcos pesqueiros encostavam no cais para descarregar o pescado. Os balcões com toldos eram o local onde os pescadores negociavam suas mercadorias aos revendedores. Estes, por sua vez, as levavam para o Mercado do Peixe (ou Mercado da Praia do Peixe ou ainda Mercado da Candelária), logo atrás dos balcões, em um prédio baixo localizado na esquina da Rua do Mercado. Mais adiante veremos.

4a. Data desconhecida.

5. Provável 1880. Observar a aglomeração de pescadores e comerciantes em busca de melhores preços.
 
5a. 1880. O cais visto de ângulo frontal a partir da passarela do "retângulo". Vemos o Mercado do Peixe, as torres sineiras da Igreja da Ordem Terceira do Carmo e mais à direita as das Igrejas de N. Sra. dos Militares e N. Sra. da Lapa dos Mercadores, ambas na Rua do Ouvidor.

5b. 1901.

6. 1890. Não esqueçamos que estamos dentro do "retângulo" do cais, comentado na primeira foto desta postagem. O fotógrafo desta imagem estava, provavelmente, na mesma passagem vista nas fotos 2, 5a, 9 e, em especial, 19. No alto, à esquerda, a torre da Igreja de N. Sra. da Lapa dos Mercadores, situada na Rua do Ouvidor.

6a. 1893. Observar a posição das construções ao fundo e comparar com as fotos anterior e pós posterior. Havia um hotel atrás do Mercado do Peixe. 
 
 6b. Cerca de 1895.

7. Imagem colorizada, sem data.

8. Cerca de 1893. Imagem oposta a foto 6 ou seja, o fotógrafo está com a câmera voltada para o Cais Pharoux. É possível identificar o prédio do antigo Ministério da Agricultura e o Morro do Castelo, ao fundo. Em primeiro plano o "retângulo" do Cais do Peixe. A construção redonda no cais é a Rotunda da Praça 15. Ali foi exposta, por algum tempo, a partir de 1891, uma grande pintura da cidade de autoria de Vitor Meireles (1832-1903) chamada: O Panorama Circular do Rio de Janeiro.

8a. 1905. Observar os pontos de referência indicados por setas. Ampliar clicando na imagem.
 
8b. 1920. Foto obtida de uma das laterais do "retângulo" do Cais do Peixe. O local também era conhecido como "Prainha". Ao fundo, da esquerda para direita, podemos identificar: o Mercado Municipal, a Estação das Barcas, o Cais Pharoux, o Morro do Castelo com a Igreja dos Jesuítas, o prédio do Ministério da Agricultura e uma das laterais do já extinto Mercado do Peixe.

8c. Outra foto do mesmo local, porém mais afastada.
 
 9. Anos 30. Ao fundo vemos um navio de grande porte ancorado junto ao Cais dos Mineiros.

10. 1905. Da esquerda para a direita (acima do Chafariz do Monroe): Mercado do Peixe, balcão de negociação e o Cais do Peixe com seus barcos pesqueiros no "retângulo". No alto do mercado é possível distinguir as torres sobrepostas da Igreja da Lapa dos Mercadores (na Rua do Ouvidor) e da Igreja Santa Cruz dos Militares (na Rua Primeiro de Março). Um pouco mais à direita as torres e a cúpula da Igreja da Candelária e na extrema direita, o Convento de São Bento. 
 
10a. Aproximação da foto anterior para que possamos observar os detalhes do Mercado do Peixe, construído em 1841 com projeto de Grandjean de Montigny.
 
11. 1904. Observamos aqui toda a extensão do prédio do Mercado do Peixe. Vemos ainda os dois chafarizes da Praça XV e as torres das igrejas já mencionadas acima. Embora se chamasse Mercado do Peixe, ali se vendia de tudo em mais de 150 barracas numa algazarra constante.
 
11a. 1905. Mesmo ângulo da foto anterior.

12. 1865. A Praça 15 de um ângulo pouco comum. Provavelmente foi tirada de uma das janelas do Convento dos Carmelitas, situado na Rua Primeiro de Março (antiga Rua Direita), com a câmera voltada para a baía. Observem no centro o Chafariz do Mestre Valentim e, à sua esquerda, o Mercado do Peixe na esquina da Rua do Mercado. Ampliando, é possível identificar os mastros de alguns barcos pesqueiros no Cais do Peixe. A edificação na extrema direita é o Paço Imperial e no seu alinhamento, ao fundo, algumas antigas construções ao lado da Estação das Barcas, aqui não vista. 

13. Pós 1906. Ao que tudo indica estamos no alto da Igreja N. Sra. do Carmo observando uma imagem panorâmica da Praça 15. À esquerda do Chafariz do Mestre Valentim vemos que o prédio do Mercado do Peixe foi, recentemente, posto abaixo. No mesmo prolongamento em direção à baia vemos o "retângulo"  do Cais do Peixe e, ao fundo, a Ilha Fiscal. No canto inferior direito o Paço Imperial, uma parte do prédio do Ministério da Agricultura e a "nova" Estação das Barcas. Atrás do Chafariz do Monroe, identificamos ao ampliar, a mureta do Cais Pharoux sempre muito movimentado. Com a inauguração do Mercado Municipal em 1907, o comércio de pescado passou para lá. Vide foto 1.
 
13a. 1899. Vendedor de aves e frutas nas proximidades do Mercado do Peixe. No canto superior direito está o Paço Imperial;mais acima as torres sineiras da Igreja de São José e no alto o Morro do Castelo. Na lateral oposta vemos o Ministério da Agricultura.

13b. Sentido oposto, com o Arco do Telles no canto superior esquerdo.
 
14. 1913. Curiosa fotografia em sentido oposto à anterior, contudo tirada da rua. A calçada de esquina vista no canto inferior direito pode ser observada na foto anterior à direita do "retângulo". Identificamos, ainda, ao fundo, da esquerda para a direita, a parte da pirâmide do Chafariz do Mestre Valentim, a torre sineira da Igreja N. Sra. do Carmo sendo elevada, sua vizinha Igreja da Ordem Terceira do Carmo e, na extrema direita, a torre do prédio do Jornal do Comércio, situado na Av. Rio Branco, esquina com Rua do Ouvidor. Atrás dos homens sobre a calçada em primeiro plano vemos um prédio claro também visto na foto anterior e, após este, o terreno ainda vazio do local onde ficava o Mercado do Peixe, demolido em 1908.

15. 1904. Uma ampliação do Mercado do Peixe (foto 11) considerando que fotos próximas de sua fachada são muito raras.

15a. 1905. Provavelmente foi tirada do alto da Estação das Barcas.

15b. Dia de grande movimento na praça.
 
16. Anos 50. Bolsa de Valores do Rio de Janeiro construído em 1935 no exato local onde existiu o Mercado do Peixe. À esquerda vemos a Rua do Mercado em sua esquina com a Praça 15. A Bolsa encerrou suas atividade em 2002 ao ser incorporada pela BM&F de São Paulo.
 
17. 2019. Foto do autor mostra a lateral do Chafariz do Mestre Valentim com parte do antigo ancoradouro preservado. Atrás, o atual prédio envidraçado construído após a derrubada do acima citado. Hoje funciona ai uma representação da BM&F da Bovespa, diversos órgãos da ALERJ e um centro de convenções. No seu lado direito vemos o começo do calçadão do Boulevard Olímpico, também conhecido como Orla Luiz Paulo Conde.

18. Anos 30. Foto aérea, em aproximação, revela o "retângulo" do Cais do Peixe e sua posição correta no entorno da Praça XV.

19. Finalizando, apresento uma foto de satélite recente do "retângulo". Clique na imagem para ampliar. O prédio no centro é o atual Centro Administrativo do Tribunal de Justiça, mas já foi, nos anos 60/70, sede da extinta SUDEPE (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca).