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domingo, 5 de janeiro de 2025

APÊNDICE XVI - Cronologia das grandes obras que transformaram a história da cidade

 Antes de 1800

CONVENTO DO CARMO - Erguido entre 1611-1619. Veja aqui.

IGREJA E CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO - Datado de 1620. Veja aqui.

PAÇO IMPERIAL - Construído em 1743 para ser a residência oficial dos governadores da colônia. Veja aqui.

IGREJA N. SRA. DA LAPA DOS MERCADORES - Aberta em 1750. Veja aqui.

ARCOS DA LAPA - Rua Evaristo da Veiga, s/nº - Centro. Antigo aqueduto, construído em 1750, para transportar água limpa do Rio Carioca, em Santa Teresa, até o Largo da Carioca. Em 1896 foi adaptado para servir de viaduto para bondes, situação que perdura até os dias atuais.Veja aqui.

IGREJA DA ORDEM TERCEIRA DE N. SRA. DO MONTE DO CARMO - Ficou pronta em 1770. Veja aqui.

IGREJA DE N. SRA. DO CARMO - Construída entre 1761-1785. Veja aqui.

MOSTEIRO DE SÃO BENTO - As obras de construção aconteceram entre 1633-1798, entretanto ainda no século XVII, foram realizadas  modificações e ampliações. O mosteiro ainda funciona anexo à Igreja de N. Sra. de Montserrat e ao lado do famoso Colégio São Bento. Veja aqui.

1800 - 1850

IGREJA SANTA CRUZ DOS MILITARES - Concluída em 1811. Veja aqui.

IGREJA DE SÃO JOSÉ - Concluída em 1842. Veja aqui.

1850-1880

PALÁCIO GUANABARA - Situado na Rua Pinheiro Machado, s/nº - Laranjeiras. O prédio original foi erguido em 1853 e comprado pela família imperial brasileira em 1860 para ser a residência oficial da Princesa Isabel e sua família após ampla reforma. Veja aqui.

CANAL DO MANGUE - As obras iniciadas em 1857 objetivaram sanear aquela região transformada em charcos e brejos cobertos de esgotos lançados pelos escravos em local distante do centro da cidade, favorecendo a proliferação de doenças.

IGREJA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO - Entregue em 1859. Veja aqui.

PALÁCIO DO CATETE -  Localizado na Rua do Catete, nº 153 - Catete. Inaugurado em 1866 em arquitetura neoclássica com jardins projetados por François Glaziou. Em 1896, passou a ser a sede da Presidência da República até a inauguração de Brasilia como Capital Federal em 1960. Hoje é o Museu da República. Veja aqui.

CAMPO DE SANTANA (Praça da República) -  Antigamente tratava-se de uma área alagadiça denominada Campo da Cidade. De 1873 a 1880 deu-se a grande reforma que transformou o local insalubre em área de laser com caminhos arborizados, esculturas, monumentos, lagos e grutas. Há também diversas espécies de animais e pássaros. Veja aqui.

1880-1910

TÚNEL DA RUA ALICE - Datado de 1887, o primeiro da cidade. Veja aqui

REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA -  Rua Luis de Cam~eos, nº 30 - Centro. O belo edifíco foi construído entre 1880 e 1888 em estilo neomanuelino. É considerado exemplo característico da influência arquitetônica lusitana no Brasil. Sua fachada é adornada por estátuas históricas. No interior é que fica as impressionantes estantes de madeira no salão de leitura com seu candelabro e bela clarabóia. Veja aqui.

PALÁCIO DA ILHA FISCAL - Av. Alfredo Agache, s/nº - Ilha Fiscal - Centro. Popularmente conhecido como "Castelinho da Ilha Fiscal", o palácio, em estilo gótico, foi construído em 1889 para ser um posto alfandegário de mercadorias que chegavam ao porto da cidade. Pouco mais de seis meses após a inauguração realizou-se alí um suntuoso baile com a presença de ilustres convidados da corte e da própria família imperial. Com a proclamação da República, em novembro daquele ano, o castelo passou a ser lembrado como o local do "último baile do império". Em 1930 a ilha foi ligada à vizinha Ilha das Cobras por uma estreita passagem. A Marinha do Brasil instalou no local diversos órgãos a ela subordinados, entretanto em 2000 o palácio foi aberto como ponto turístico com visitação pública guiada. Veja aqui.

TÚNEL ALAOR PRATA (Túnel Velho) - aberto em 1892. Veja aqui.

CONFEITARIA COLOMBO - Rua Gonçalves Dias, nº 32 - Centro. Construída em 1894 e preservada ainda hoje como jóia rara. Seu interior é belíssimo com espelhos belgas, móveis de jacarandá e balcões de mármore italiano. Além da maravilhosa decoração, a confeitaria ganhou fama por servir deliciosos doces e salgados. Os lanches e chás da tarde eram famosos e sinal de inclusão social. Atualmente é ponto turístico obrigatório para quem deseja conhecer a arquitetura do centro e a gastronomia carioca.

IGREJA DE N. SRA. DA CANDELÁRIA - Praça Pio X, s/nº - Centro. Inaugurada em 1898 após 123 anos do início da construção. Além da exuberante beleza é reconhecidamente a maior igreja da cidade. Veja aqui.

PRAÇA AFONSO VISEU, antigo  Largo da Boa Vista - De 1904. Veja aqui.

PAVILHÃO DE REGATAS - De 1905 e desmontado em 1928. Veja aqui.

AV. CENTRAL, atual Av. Rio Branco - Concluída em 1905, transformou drásticamente o centro da cidade em metrópole moderna. A nova avenida, larga e margeada por edifícios grandes, ligou o porto da cidade à região da extinta praia da Lapa, ao lado do Passeio Público. Rapidamente passou a ser frequentada por pessoas da classe alta da sociedade e comerciantes em busca de sucesso. Veja aqui.

AV. ATLÂNTICA - Aberta entre 1905-1908 com alargamentos posteriores em 1919 e, definitivamente, em 1971. Veja aqui.

DESMONTE DO MORRO DO SENADO - Realizado lentamente entre 1860-1906. Deu origem a região onde atualmente fica a Praça da Cruz Vermelha. Veja aqui.

TÚNEL JOSÉ CUPERTINO COELHO CINTRA (Túnel Novo) - De 1906. Em 1949 foi duplicado e reformado. Veja aqui.

AV. BEIRA MAR - Construída em etapas. A primeira (1903-1906) ligava Botafogo (altura do Mourisco) até o Obelisco da Av. Central e a segunda etapa (1922), do Obelisco até a ponta do Calabouço (altura da Av. Marechal Câmara), na extinta Praia de Santa Luzia. Veja aqui e aqui.

PALÁCIO MONROE - Montado em 1906 e demolido em 1976. Veja aqui.

VISTA CHINESA - Entregue em 1906. Veja aqui.

MERCADO MUNICIPAL - Inaugurado em 1907. Em 1960 foi descaracterizado por conta da construção do Viaduto da Perimetral e posto abaixo três anos depois. Veja aqui.

PAVILHÃO DO MOURISCO - Datado de 1907 e demolido em 1952 para o acesso do trânsito ao Túnel do Pasamdo. Veja aqui.

AV. DE LIGAÇÃO, atual Av. Oswaldo Cruz - Entregue em 1907. Veja aqui.

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES, depois MUSEU - Concluída em 1908. Veja aqui.

TEATRO MUNICIPAL - Localizado na Praça Floriano, s/nº - Centro. Foi inaugurado em 1909 como parte integrante das novas construções da recém aberta Av. Central. Inspirado na Ópera de Paris, o luxuoso prédio é o mais importante centro cultural do Rio de Janeiro, abrigando orquestra sinfônica, ballet e coro. Além das apresentações artísticas, o teatro oferece visita guiada permitindo ao visitante apreciar suas obras de arte e principalmente a majestosa arquitetura. Veja aqui.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - Entregue em 1909.  Atualmente Centro Cultural da Justiça Federal. Veja aqui

BIBLIOTECA NACIONAL - Inaugurada em 1910. Veja aqui.

1910-1940

CAMINHO AÉREO DO PÃO DE AÇÚCAR - A primeira etapa, até o alto do Morro da Urca ficou pronto em 1912 e aoutra, até, o alto do Pão de Açúcar no ano seguinte. Veja aqui.

FORTE DE COPACABANA - Situado na Praça Eugênio Franco, nº 1 - Copacabana (Posto 6). Inaugurado em 1914 em ponto estratégico para defender a cidade de ameaças marítimas. O local combina uma vista maravilhosa da orla da praia de Copacabana com história militar. Atualmente o local é o Museu Histórico do Exército. Veja aqui.

TÚNEL JOÃO RICARDO - Inaugurado em 1921. Veja aqui (fotos 110a - 114).

CANAL DO JARDIM DE ALAH - Concluído em 1919. Já os jardins em volta do canal foram terminados em 1936. Veja aqui.

DESMONTE DO MORRO DO CASTELO - Realizado entre 1921-1922 sob alegação dos governantes que o morro impedia a circulação do ar e deixava o centro da cidade propenso a epidemias. O objetivo real foi a modernização do centro após a criação da Esplanada do Castelo. Veja aqui.

AV. DO CONTORNO, atual Av. Rui Barbosa  - 1923. Veja aqui.

PALÁCIO PEDRO ERNESTO - 1923. Veja aqui.

PALÁCIO TIRADENTES - 1926. Veja aqui.

BAIRRO DA URCA - Os aterros na base do Morro da Urca foram iniciados em 1921 e concluídos em 1926. Veja aqui.

CRISTO REDENTOR - Montado em peças no alto do Morro do Corcovado em 1931. Veja aqui.

1940-1970

AV. PRESIDENTE VARGAS - Concluída em 1944 como um grande corredor em linha reta que ligava a zona norte ao centro da cidade. Sua construção pôs abaixo quatro igrejas, a prefeitura do município, quatro ruas, um largo, centenas de construções antigas e mutilou o Campo de Santana. Veja aqui.

AEROPORTO SANTOS DUMONT - O aeroporto foi oficialmente inaugurado em 1936, contudo o novo terminal de passageiros somente em 1945. Vide aqui.

AV. BRASIL -  Concluída em 1946. Importante via de ligação da cidade. Começa na altura da Av. Francisco Bicalho em direção à Santa Cruz, na Zona Oeste. Foram seis anos de obras para que a avenida se tornasse uma das mais movimentadas do Brasil.

TÚNEL DO PASMADO - Inaugurado em 1947. Veja aqui.

ESTÁDIO DO MARACANÃ (Estádio Jornalista Mário Filho) -  Concluído em 1950 para a Copa do Mundo de Futebol. Veja aqui.

DESMONTE DO MORRO DE SANTO ANTÔNIO - Veja aqui.

TÚNEL SÁ FREIRE ALVIN (Túnel da Rua Barata Ribeiro) - Pronto em 1960. Veja aqui.

CIDADE UNIVERSITÁRIA DA ILHA DO FUNDÃO - São 26 faculdades distribuídas em 40 prédios que foram sendo inaugurados gradualmente. O início, após aterro de várias ilhas formando um grande terreno, deu-se entre 1949-1952. Um dos primeiro prédios a ser inaugurado foi o Hospital Universitário por volta de 1960. Os demais centros, tecnológicos, médicos, esportivos, restaurantes, vila universitária e outras instituições não ligadas à universidade foram erguidos até meados da década de 1970. Veja aqui.

VIADUTO PERIMETRAL - Construído em duas fases. O primeiro trecho foi inaugurado em 1960, ligando o Aeroporto Santos Dumont à Igreja da Candelário, e o segundo em 1978, ligando o primeiro trecho até o Viaduto do Gasômetro, passando por cima da Av. Rodrigues Alves em toda sua extensão. Por muito tempo foi uma das mais importantes vias expressas da cidade. Sua demolição ocorreu entre 2013 e 2014, como parte integrante do projeto Porto Maravilha.

TÚNEL MAJOR RUBENS VAZ (Túnel da Rua Tonelero) - De 1963. Veja aqui.

TÚNEL SANTA BÁRBARA (Túnel Catumbi - Laranjeiras) - De 1963. Veja aqui.

TÚNEL REBOUÇAS - Entregue ao trânsito em 1967. Veja aqui e aqui.

ATERRO DO FLAMENGO (Parque Brigadeiro Eduardo Gomes e Parque Carlos Lacerda, antigo Parque do Flamengo) - Inaugurado em 1965. Veja aqui. Três construções foram feitas no interior do parque: O Museu de Arte Modera (1963), o Monumento aos Mortos na II Guerra Mundial (1960) e a Marina da Glória (1979). Vide aqui.

1970-2000

TÚNEL ACÚSTICO E TÚNEL DOIS IRMÃOS - Integrantes da Auto Estrada Lagoa-Barra. O Dois Irmãos (Túnel Zuzu Angel) é de 1971 e o Acústico (Túnel Rafael Mascarenhas) é de 1982. Vide aqui e aqui.

TÙNEL DE SÃO CONRADO, TÚNEL DO JOÁ E ELEVADO DO JOÁ - Também integrantes da Auto-estrada Lagoa-Barra. Todos inaugurados em 1971. Os túneis possuem juntos 686 (260+426) metros de extensão atravessando a Pedra da Gávea com estrutura em dois andares. O elevado, cujo nome oficial é Elevado das Bandeiras, ligando os dois túneis e cosntruído na encosta do mar, possui 3,1 Km de extensão. Em 2016, como parte integrante das grandes obras urbanas realizadas na cidade para os jogos olímpicos, os túneis e o elevado foram duplicados paralelamente aos já existentes. Veja aqui.

AEROPORTO TOM JOBIM, antigo Aeroporto do Galeão - O Terminal I foi concluído em 1977 e o II em 1999. Veja aqui.

PONTE RIO-NITERÓI (Ponte Presidente Costa e Silva) - Entregue ao público em 1974. A ligação entre os dois municípios foi realizada em 5 anos numa extensão de 13,3 Km. É a segunda ponte mais extensa da América Latina. Veja aqui.

TÚNEL MARTIM SÁ (Túnel Frei Caneca) - Aberto em 1977.

TÚNEL NOEL ROSA - De 1978. Veja aqui.

LINHA VERMELHA (RJ 071 - Via Presidente João Goulart) - Via expressa realizada em 3 fases distintas: a primeira foi entregue em 1978 ligou o Elevado Paulo de Frontin ao Campo de São Cristóvão, a segunda inaugurada em 1992 vai do Campo de São Cristóvão à Ilha do Fundão e a terceira, terminada em 1994 percorre o trecho entre a Ilha do Fundão até a rodovia Presidente Dutra, em São João de Meriti. São 21,9 Km de extensão.

LINHA AMARELA (Av. Carlos Lacerda) - Entregue em 1997. Via expressa que liga Jacarepaguá à Ilha do Fundão com 17,4 Km de extensão. Houve a necessiadade da abertura de 3 túneis: Túnel Engenheiro Raimundo de Paula Soares (Túnel da Covanca), Túnel Engenheiro Enaldo Cravo Peixoto e Túnel Geólogo Enzo Totis.

VIA LIGHT - De 1998. Costruída a fim de desafogar o trânsito da Rodocia Presidente Dutra em direção aos municípios da Baixada Fluminense. Sofreu extensões em 2005, 2010 e 2012 aumentado o total da via para 10,65 Km até Nova Iguaçu.

2000-2030

PORTO MARAVILHA - Primeira fase concluída em 2011. Revitalizou o Pier e a Praça Mauá para os grandes eventos esportivos da cidade realizados em 2014 (Copa do Mundo de Futebol) e 2016 (Jogos Olímpicos). O grandioso projeto exigiu a demolição do Viaduto da Perimetral (2013-14), a construção do Túnel Rio450 (2015), a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos - VLT, a criação do Museu do Amanhã (2015), do Museu de Arte do Rio - MAR (2013), a restauração do Centro Cultural José Bonifácio - CCJB (2013), a costrução da Via Binário (2013) com o Túnel Arquiteta Nina Rahba (Túnel da Saúde) e o Túnel Prefeito Marcello Alencar (2016).

TRANSOESTE - Aberta em 2012. Via expressa do BRT (Bus Rapid Transit) com 56 Km que liga a Barra da Tijuca à Santa Cruz e Campo Grande, atravessando Guaratiba e Recreio dos Bandeirantes. Em 2016 passou a integrar a linha 4 do Metrô na estação Jardim Oceânico. Está conectada também às vias expressas Transolímpica e Transcarioca além da linha de trens da SuperVia. São 63 estações e 3 terminais. O túnel Vice-presidente José de Alencar (Túnel da Grota Funda) de 1,1 Km foi aberto.

TRANSCARIOCA - Funciona desde 2014. Outra via expressa servindo ao BRT com 39 Km. Liga a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim. São 44 estações e 2 terminais.

TRANSOLÍMPICA (Corredor Presidente Tancredo Neves) - De 2016. Via expressa de 26 Km que liga os bairros do Recreio dos Bandeirantes à Magalhães Bastos. Recebeu este nome por unir dois grandes pólos olímpicos: Parque da Barra da Tijuca e Parque de Deodoro. É utilizada também pelo sitema de ônibus BRT, com 18 estações, 3 terminais e dois túneis: Túnel Senador Nelson Carneiro e Túnel Cauby Peixoto.

sexta-feira, 28 de junho de 2024

MORRO DE SANTO ANTÔNIO

O morro foi ocupado no século XVII pelos padres franciscanos e por famílias pobres acolhidas pela caridade destes. A igreja e o convento (de 1617), construídos no alto do morro, fizeram a cidade se desenvolver no campo, futuro Largo da Carioca, que se formou no sopé do morro após o aterramento de uma lagoa ali existente. Anos depois foi construído um segundo chafariz (1843), agora de mármore, com a água límpida trazida de Santa Tereza através do Aqueduto da Lapa (de 1750). A circulação de pessoas aumentou consideravelmente também com a construção do Hospital Venerável da Ordem Terceira e, assim, o largo passou a ser um dos mais frequentados da cidade. O comércio e as construções se desenvolveram pelas redondezas.

O morro situava-se entre os seguintes logradouros (nomes atuais): Rua da Carioca (atrás das construões do lado ímpar), Rua do Lavradio (lado ímpar), Rua Evaristo da Veiga (atrás do Quartel General da PM) e Largo da Carioca. As subidas de pedestres, algumas com escadas, eram feitas na confluência das Ruas Senador Dantas e Evaristo da Veiga, Rua Francisco Belisário, Rua Silva Jardim (próxima a Praça Tiradentes) e Beco da Carioca.

Da mesma forma ocorrida no Morro do Castelo, ainda nos anos 20, a idéia de desmontar o Morro de Santo Antônio começou a tomar força. No final dos anos 50 os administradores da cidade estavam certos que seu arrasamento era necessário para a construção de uma larga avenida (Av. República do Chile) ligando o centro da cidade à região da Praça da Cruz Vermelha como forma de desafogar o trânsito da Av. Presidente Vargas. O conjunto arquitetônico sacro composto pelo Convento e Igreja de Santo Antônio e a vizinha Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência foi preservado. O material retirado do morro serviria para o projeto de aterramento da orla da Glória e Flamengo.

O visitante também pode ver algumas fotos dos restos do morro em nossa postagem que aborda a construção da Av. República do Chile, aqui

 
1. 1914. Uma das primeiras favelas da cidade.
 
 
1a. 1916.

 
2. 1916. É possível ver uma fonte rudimentar de água em meio a barracos frágeis.

 
3. 1916.

 
4. 1916.

 
5. 1916.

 
6. 1916.

 
7. 1916.

 
8. 1916. Casebres construídos com "retalhos" de madeira.

9. 1916. Consta ter havido um incêndio que destruiu diversos barracos.

10. Foto panorâmica sem data. Ao fundo identifica-se o prédio da antiga Mesbla com sua torre do relógio.
 
10a. Sem data. O local parace ser ao pé do Convento de Santo Antônio, pois ali passava o bonde de Santa Teresa.
 
11. Anos 50. Dia de Santo Antônio.
 
12. Cerca de 1958. O desmonte em andamento.
 
13. Idem.
 
14. Mesmo trecho acima.

15. Sem data.

16. 1958. Aqui vemos a esplanada que se abriu após a demolição do morro. Para posicionar melhor o visitante, temos no canto inferior esquerdo um trecho da Praça Tiradentes e a Rua da Carioca arborizada. Mais acima, ao centro, está parte do Largo da Carioca com destaque para o Tabuleiro da Baiana. No alto da imagem, após a área descampada, fica a Rua Evaristo da Veiga. Mais acima está a enseada formada após o aterramento da baía na região da Glória, onde hoje fica a Marina da Glória. Destaca-se ali, também, o Monumento aos Mortos na Segunda Guerra Mundial em construção. Finalmente, no canto superior esquerdo, está o Aeroporto Santos Dumont.
 
16a. Cerca de 1957. No centro direito está os Arcos da Lapa.

17. 1959. No centro da imagem para cima está a Rua do Lavradio cruzando a Rua da Relação em profundidade.
 
18. O início da abertura da Av. República do Chile. Ao fundo está a região do Largo da Carioca.

 19. Trecho da futura Av. Chile. Mais informaões e fotos desta avenida veja aqui.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

APÊNDICE XV - Bondes

A história dos bondes como meio de transporte público no Rio de Janeiro começa em 1859. Os primeiros modelos rodavam sobre trilhos puxados por animais, depois a vapor (1861) e finalmente por energia elétrica (1891). O Brasil foi um dos pioneiros a aderir a este tipo de transporte de massa nos centros urbanos. O apogeu do sistema aconteceu no início dos anos 40 quando empresas canadenses, inglesas, americanas e brasileiras operavam cerca de 4.200 carros por aproximadamente 2.250 km de linhas. Estas empresas tinham em seu quadro mais de 30 mil empregados e transportavam 125 mil passageiros por mês,

O bonde teve papel essencial na integração e expansão dos bairros da cidade, unindo o centro antigo às regiões mais distantes que correspondem hoje aos bairros da Zona Norte e Sul. Pessoas de todas as classes sociais podiam se deslocar para centros comerciais mais distantes de suas residências a um custo baixo. Este novo meio de transporte promoveu uma revolução no modo de vida, desenvolvendo o comércio e possibilitando o loteamento de terrenos para venda nos "distantes" bairros de Botafogo, Copacabana, Ipanema e Leblon.

No início do século XX surgiram os primeiros automóveis e ônibus movidos à gasolina, contudo o bonde aberto continuou a ser o transporte urbano preferido da população. Em meados dos anos 50 com o barateamento dos automóveis da indústria nacional, o consumidor passou a preferir este tipo de transporte individual para sua família. Além disso, a frota de ônibus disponível cresceu, oferecendo maior segurança aos usuários. O destino do bonde como meio de transporte estava selado.

Em 1963 o Governador do então Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, resolveu encerrar as atividades dos bondes. A companhia que produzia os carros e fazia a manutenção já havia deixado o sistema poucos anos antes, deixando bondes e trilhos sem manutenção de qualidade. As linhas foram sendo extintas em etapas até 1967, sendo a última linha a do Alto da Boa Vista. 

Apenas a linha de Santa Teresa permaneceu e ainda hoje opera. Ela foi inaugurada em 1872 partindo do Largo do Guimarães em direção ao Silvestre e ao Morro Paula Matos. Em 1896 a linha de Santa Teresa, já eletrificada, começou a sair do Largo da Carioca ligando o Morro de Santo Antônio ao Morro de Santa Teresa pelo alto dos Arcos da Lapa (antigo aqueduto). O bonde passou a ser símbolo do bairro para onde iam buscar moradia diversos músicos, intelectuais, artistas e pessoas "descoladas" do agito urbano. Alguns acidentes, inclusive com mortes, ocorreram e os chamados modernistas fizeram coro pelo fim da linha, contudo a associação de moradores, sempre resiliente em manter as tradições do bairro, conseguiu mais atenção do poder público e a linha foi totalmente remodelada, voltando a operar em 2015 após 4 anos de paralização.

Com a extinção deste meio de transporte, o ônibus elétrico foi implantado em 1962 aproveitando a fiação aérea já existente dos bondes. O trolleybus pertencia a CTC, porém teve curta duração devido a problemas econômicos, técnicos e jurídicos. O sistema foi desativado em 1971 e os veículos convertidos a combustão diesel.

Atualmente no Rio de Janeiro existe o Veículo Leve sobre Trilhos - VLT que trafega exclusivamente pelo centro da cidade, em duas linhas, desde os Jogos Olímpicos de 2016. Mas isto é outra história...

Linhas existentes de 1951 a 1957

1 - Largo do Machado (não regular)

2 - Laranjeiras

3 - Águas Férreas¹

4 - Praia Vermelha

5 - Leme

6 - Voluntários*

7 - Humaitá, depois Jóquei

9 - General Polidoro - Pça. Mauá, depois General Polidoro

10 - Gávea

11 - Jardim Leblon

12 - Ipanema (via Túnel Velho)

13 - Ipanema (via Túnel Novo)

14 - Praça General Osório

20 - Circular, depois Leme - Ipanema

21 - Circular

22 - Maquês de Abrantes - Estrada de Ferro, depois nº 24

24 - Marquês de Abrantes - Estrada de Ferro

25 - André Cavalcanti

26 - E. Ferro - 1º Março - Independência² *

27 - E. Ferro - Riachuelo - Independência², depois E. Ferro - Riachuelo - Tiradentes

28 - Barcas - E. Ferro

29 - Barcas - E. Ferro - Lapa, depois Lapa - Duque de Caxias - 1º Março

30 - Lapa - Arsenal de Marinha

31 - Lapa - Leopoldina*

32 - Lapa - Av. Rodrigues Alves*

33 - Lapa - Praça da Bandeira

34 - Praça 15 Nov. - Av. Rodrigues Alves*

35 - Praça 15 Nov. - Riachuelo*

36 - Praça 15 Nov. - Pça 11 de Junho, depois Lapa - Cancela

38 - Pça. Mauá - Leopoldina*

39 - Praia Formosa - Pça. Mauá -  Arsenal de Marinha*

40 - Praia Formosa - Camerino - Pça. Mauá

41 - Palmeiras*

42 - Coqueiros

43 - Catumbi - Itapiru

44 - Itapiru - Independência² *

45 - Itapiru - Barcas

46 - Estrela

47 - Santa Alexandrina

48 - Bispo*

49 - Itapagipe*

51 - Matoso

52 - Cancela*

53 - São Januário

55 - Bela de São João*

56 - Alegria

57 - Ponta do Caju e Caju Retiro

58 - São Luis Durão³ *

59 - Pedregulho*

60 - Marquês de Abrantes - Saens Peña, depois Muda - Marquês de Abrantes

62 - Pça. Malvino Reis

63 - São Francisco Xavier*

64 - Aguiar - Fábrica

65 - Muda (não regular)

66 - Tijuca

67 - Alto da Boa Vista

68 - Uruguai - Eng. Novo

69 - Aldeia Campista

70 - Andaraí - Leopoldo

71 - Barão de Mesquita - Verdun*

72 - Saens Peña - Méier

73 - Praça Barão de Drummond*

74 - Vila Isabel - Eng. Novo

75 - Lins de Vasconcellos

76 - Engenho de Dentro

77 - Piedade

78 - Cascadura

79 - Licínio Cardoso

81 - Méier - Tragem

82 - Méier - Independência²

83 - Méier (não regular)

84 - José Bonifácio

85 - Cachambi

86 - Pilares

87 - Boca do Mato

88 - Méier - Pça. Barão da Taquara*

89 - Tanque*

90 - Taquara

91 - Feguesia

93 - Ramos, depois Penha (até Pça. Mauá)

94 - Penha (até Lgo. São Francisco)

96 - Madureira - Vaz Lobo*

97 - Madureira - Penha

98 - Madureira - Irajá

99 - Méier

Obs.: * linha extinta no período. ¹ nome antigo do Cosme Velho. ² nome conhecido antigamente da Praça Tiradentes. ³ antiga fábrica em São Cristóvão.

Tipos de bonde e curiosidades

 
1. Os primeiros tipos eram puxados por um burro e transportavam apenas dezesseis passageiros.

2. Cerca de 1900. A capacidade de passageiros aumentou para 30, sendo 18 sentados e 12 nos plataformas (estribos), o que exigiu o uso de uma parelha de burros.
 
2a. Os animais cansados eram substituídos para prosseguir viagem. Era a chamada "troca" ou "muda" que, inclusive, deu oirgem a nome de bairro na Tijuca.

2b. Sem data. O letreiro diz: Hospício/E. Ferro/Sapucahy. Traduzindo: Rua Buenos Aires/Central do Brasil/Rua Marquês de Sapucaí

 
3. Inicialmente os modelos elétricos não possuiam numeração nem parabrisas.

 
4. Super lotado com reboque, em frente à Central do Brasil. 

  

5. Dois reboques.

6. Foto dos anos 50 colorizada do bonde 69 na Praça Tiradentes.

7. Uma cena desta é impossível imaginar hoje em dia. Como o motorneiro consegue ver seu caminho à frente? Só no Brasil havia este tipo de super lotação.
 
8. Os usuários pareciam não se incomodar com tamanho desconforto. Será que os homens cediam os bancos para as mulheres?

9. Cerca de 1950. Bonde 5 oriundo do Leme acaba de atravessar o Túnel Novo na boca de Botafogo. Observar que ele vem na contramão em relação aos demais veículos. Este fato ocorria porque somente em uma das duas galerias trafegava bondes. Isso causava alguns acidentes com motoristas de carros que não conheciam o trânsito da cidade. Na mureta acima do bonde há um aviso de "atenção bonde na contramão". Eram os chamados "mata paulista". Os primeiros bondes começaram a trafegar por Copacabana em 1892 atraves do Túnel Velho.

10. O bonde na contramão aconteceu também a Av. N. Sra. de Copacabana antes da abertura dos túneis da Rua Barata Ribeiro (Túnel Sá Freire Alvin, aberto em 1960) e da Rua Tonelero (Túnel Major Rubens Vaz, aberto em 1962).Observar que os passageiros que viajavam nos degraus ficavam a centímetros dos carros em sentido contrário.
 
10a.1960. Mais uma foto da Av. N. Sra. de Copacabana.
 
 
11. 1965. A última linha a ser extinta, já sem nemeração, recebeu novos modelos fechados, nas cores da antiga CTC. Ficaram conhecidos pelos cariocas como "Rita Pavone", cantora italiana de sucesso na época que se apresentava com calça e suspensório.

 
12 A linha que servia a Ilha do Governador circulava somente ali.

13. Este modelo oferecia mais segurança aos passageiros. Observe que o embarque/desembarque era feito somente pela lateral direita, ficando a outra fechada sem estribos.
 
14. Foto de 1947 próximo ao Mercado Municipal da Praça XV. Os "taiobás" eram bondes para transporte de cargas e passageiros, portanto mais baratos. Foram criados em 1884 e no princípio eram conhecidos como "caraduras".
 

15. Antigo bonde de Santa Teresa.
 
16. Moderno bonde de Santa Teresa na Estação do Centro, próximo à Rua Senador Dantas.
 
17.Cerca de 1935. O interior do bonde com suas propagandas que muitas histórias contavam.
 
17a. "Veja, ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado. E, no entanto, acredite, quase morreu de bronquite. Salvou-o o Rhun Creosotado".
 
17b. 1959.

17c. Anos 50. Subir ou descer dos bondes em movimento sempre foi perigoso. Embora fosse proibido, muitos homens se aventuravam. A imagem desta foto, provavelmente, não é no Rio de Janeiro.
 
17d. Ciclista imprudente "pegando carona" no bonde Tijuca.
 
18. 1896. Inauguração do trecho sobre os Arcos da Lapa.

19. Bonde de Santa Teresa já padronizado nas cores da CTC durante os anos 60.
 
20. Cerca de 1970. O bonde fechado foi uma idéia de pouca duração.
 
21. A figura do "trocador" ou "condutor" é um capítulo à parte na história dos bondes. Ele era o responsável pela cobrança das passagens durante as viagens. Uma tarefa nada fácil, pois deveria equilibra-se nos estribos, coletar dinheiro dos passageiros e evitar o calote dos espertinhos. As notas ficavam cuidadosamente enroladas nos dedos de uma só mão, parecendo um leque, de forma que ele pudesse vê-las com facilidade no momento do troco. Havia um sistema rudimentar que pretendia auxiliar a contagem dos passageiros que houvessem pago a passagem. Tratava-se de uma cordinha esticada no alto que, ao ser puxada, acionava um mostrador mecânico voltado para a cabine,
acima do "motorneiro" (motorista), fazendo um som caracteristico, tipo "blim-blim". Quando o bonde estivesse super lotado, como mostrado nas fotos 7 e 8, este sistema era inútil e o calote era inevitável. As vezes subia no bonde um terceiro personagem chamado "fiscal", ao qual cabia conferir a quantidade de passageiros indicada no mostrador com a quantia arrecadada pelo "trocador". Tempos difíceis.
 
22. Condutor, fiscal e propagandas.